terça-feira, fevereiro 26, 2013

"I depart as (thin) air" [eterno rascunho]

Sobre a passagem de algumas pessoas através de uma unidade curta de Tempo.

O que lhe direi agora?
Somos estranhos novamente.
Não o sei.


Alguns buscam sentido para suas vidas.
É uma vontade justa
Já que ninguém pediu para estar aqui
Buscamos nos explicar;
sempre é mais fácil a dois.
Mas quem se entende?
Quem se entende no final
          verdadeiramente?

Alguns me diriam agora:
"Não há nada o que explicar"
"Não há nada o que entender"

Mas não posso deixar de escrever
Não escuto mais esse tipo de conselho
        de pessoas indiferentes.
Penso muito, sinto mais ainda
        e sei que é sincero
Já esperei tempo demais.
Minhas memórias e sonhos
         são as muralhas que me afastam da morte.
Mas não posso viver deles.
Esta vida é terrível, é verdade
&
Nossos sonhos são as potências que carregamos
Não podemos deixar que eles se alimentem de nós.

"Não fomos feitos para este Mundo"

De qualquer forma, estamos aqui.
Temos que dar um jeito.
Dizer se a vida vale a pena ou não ser vivida
        não é a pergunta primeira a ser respondia.
Ainda que importante.
Precismos, antes, responder à todas as outras questões
para podermos responder à essa.
É uma pergunta que se responde aos poucos
            a cada dia
           a cada noite

Muitas vezes, não se matar é a maior das comodidades.
Fingir que não há nada de errado para se manter razoável
          – por algumas décadas...

Mas a vida não é nem mesmo razoável.
Olhe:
        por um punhado de reais você pode matar uma tarde
        nada mais que isso.

O tempo perdido não volta
Mas os tempos mortos permanecem

Você deu sentido àquela noite
Isso é mais do que alguns conseguem
          depois de toda uma vida.
Não poderia ter tido melhor companhia.

Mas quero dizer para que não se preocupe
Não quero isso... não por minha causa.
Está tudo bem.
&
Foi tudo incrível, até mesmo a tristeza;
Lhe direi que
Não devemos nos arrepender de nada

Belo como um sonho, belo como um filme.

Ainda mais por ter sido real.

Um instante entre as rachaduras do real.


Quero que saiba que não esqueço.
– As memórias belas devem permanecer.
É o que guardamos dessa fogueira que é a existência.

A vida é esse fogo que consome a si mesma:
           Chamas:
                         um braseiro, então cinzas.


Partiremos, então – os dois.
Sem nunca olhar para trás.

Adeus




Uma nota:

Agora que tudo se foi, é impossível retomar a escrita destas linhas sem as trair ou as corromper com este presente. São palavras e sentimentos que pertencem a um passado e, como uma mensagem que se dirigia para alguém que não está mais nem "ici et ailleurs", que não tem mais a mesma presença de antes, é impossível retomar a escrita, ela ficará incompleta para sempre.

Como eu mesmo disse para a pessoa a quem estas linhas se dirigiriam originalmente: É trágico quando cartas enviadas são perdidas, mas as que ficam, as que não são enviadas é que são as grandes desgraças.

Tenho algumas. Livros, cartas, mensagens, poemas. Eles permanecem comigo, e apenas eu saei, apenas eu tenho que lembrar. O que fazer? Entregar a outra pessoa ? Seria uma traição. Perca por aí ou entregue à um desconhecido.

É o que estou fazendo.

terça-feira, fevereiro 19, 2013

Sobre a passagem...


Como diz o filme:

Nossa vida é uma viajem,
No inverno e na noite;
Buscamos nossa passagem
No céu que nada luz.

Somos como crianças perdidas na noite;
Condenados a viver nossas vidas incompletas.
É tarde demais, tarde demais para querer
Tornar-se um adulto.

segunda-feira, fevereiro 18, 2013


A esperança é o primeiro sinal da derrota.

In Heaven, everything is fine.

You got your good things and I got mine.

Não é esta a perfeita canção do desespero?

Da ilusão que se auto nega?
"Tudo ficará bem, pois nada está bem."


https://www.youtube.com/watch?v=s2WhbTyvLYU

domingo, fevereiro 10, 2013

these days 0

Camille,

"Il pleut doucement sur la ville"
(Rimbaud)

these days


Penso em umas mil coisas ao mesmo tempo;
não consigo dizer nenhuma delas sem passar a outra
e me perder.

Chove sobre meu coração,
é verdade.
Mas é uma chove doce;
uma chuva que me distancia da morte.

"camila, camila."

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Camille

Para C. , segundo Lorca


"Tua lembrança não leves.
deixa-a sozinha em meu peito

Um muro de sonhos maus 
me afasta dos que morreram. 

Mas deixa tua lembrança, 

deixa-a sozinha em meu peito."





Uma parede de sonhos nos separa
&
Somente a chuva é real
Ela, única, a que me separa da morte.

domingo, fevereiro 03, 2013

regravar haikais americanos

queria me importar menos
com o teu silêncio
Uma tarde é o suficiente 
para ficar louco
lembro que me disse
que estava feliz, tenho medo
que diga que agora já não precisas
mais de mim

domingo, janeiro 27, 2013

Convite


Onde estão as palavras agora?
Foi um belo convite.
Mas as palavras já não nos servem pra muita coisa.
Tão difícil se fazer entender – por que tem que ser assim?
É preciso tempo. É o que tenho a dizer.
Talvez as cartas nunca cheguem e o telefone nunca toque,
Mas, não os espere; não conte com eles.
A viajem é longa. E é sempre noite; sempre frio.


Você teve minha companhia,
Mas eu nunca tive a sua.

https://www.youtube.com/watch?v=dIu0GN-jEDQ



Lembro de tua mão naquela noite.
Como em um sonho,
Um outro tempo.
A segurei pra não a perder;
para não nos separarmos.
Mas eu devia saber.
Devia saber que éramos estranhos;
Que continuaríamos estranhos.

Foi o lampejo que eu pedi.
Não sabia que duraria tão pouco.

E mesmo hoje, não nos reconheceríamos
se cruzássemos na rua,
se deitássemos na linha do trem,
se tomássemos café.

Você nunca ira entender
o que significou para mim.
Um dia, talvez...

quinta-feira, dezembro 27, 2012

neblina

o mal que sinto em mim,
de tão intenso,
parece cobrir tudo.
ele está onde estou.

"não podes sentir
esse ar tão pesado
que nos envolve?"

"essa dor de viver
que está em todo lugar
que olho?"

penso ser o próprio
mal-estar;
personificado.
a náusea que
caminha.

como posso ficar
perto de alguém
dessa forma?

impossível desfrutar
da companhia
de quem eu gostaria
se perto dela
lhe causo repulsa.

quando a noite não quiser passar,
converse com miles davis.
não que ele tenha alguma resposta...
mas talvez tudo faça um pouco mais de sentido.

como no livro: you get so alone at times that it just make sense

não sei. talvez não seja isso.

alguns passam a vida toda buscando compreensão.
talvez se trate disso.
quando leio bukowski, sinto que existe mais alguém por aí.
a solidão diminui um pouco e eu percebo que mundo maluco e fodido é esse aí fora. acho que é por isso que "faz sentido". E então o absurdo da vida se torna mais suportável por um instante.

acho que vou fazer isso agora.
todas as teorias sociais acabaram de falhar
o que direi a ela?

me perguntas como passo meu tempo...
me sento em uma cadeira e escuto as velhas músicas de sempre
ando por aí sem esperar por nada .

e outra vez,
parece que tudo acabou.

daqui pra onde agora?

vinho e cerveja
são só
vinho e cerveja .

esperar ?

o tédio se arrasta para cima de nós.
e estes, iguais a mim, são seus agentes.
por/em toda parte
eles fazem seu serviço sujo.

Posso dizer que esta juventude não irá durar para sempre...

meus pensamentos ainda permanecem com as garotas dos anos passados.
um rio que nunca para de correr

rascunhos do poema mais perfeito do mundo

Você pode pensar.

Estar sozinho é antes de tudo se sentir sozinho... e mais
é realmente não poder contar minimamente com outros
para tarefas simples.

Angústia da situação se faz pesar através das escolhas sem volta
e sem amparo.

Em algum tempo, você não saberá muito bem como se comportar
em uma roda de pessoas.
Você não saberá manter uma conversa,
mesmo que precise,
mesmo que queira.

A solidão e a introspecção formarão uma torre
de onde tudo será visto de maneira privilegiada
e de onde tudo se julga.

Cuidado com a arrogância!
Mas não a descarte!

Ah, essa reclusão que me impuseram
e que aceitei de bom grado!
É preciso tempo,
é preciso se desprender do mundo
E como dói tal processo!
Mas o aceitei.
Ah, esta soberba solidão!

Conheço tão bem o mundo
como a mim mesmo!

Sou a medida de todas as coisa!

E os meus sonhos são toda a potência e toda a morte.

No meu reino, você não me olha nos olhos, mas sim, eu, eu olho para dentro de ti
e sei tudo o que preciso saber.

Não o julgo antecipadamente, mas conheço tão bem a miséria humana
que dificilmente algo me escapará.

(...)
Os livros nunca te evitam.

Pode parecer óbvio,
mas é preciso dizer.

Os livros
nunca
te evitam.


As pessoas podem lhe evitar;
até a escrita pode te deixar
por um momento

seu cão mijou pela casa toda
e
não há cerveja.

neste momento
seus amigos todos estão a cuidar das gordas aposentadorias
prometidas

seu sono se foi
ou
não quer vir.

o que não deixa de ser uma grande besteira,
mas ainda é preciso dizer,
os livros não te evitam;


pequena notação:

é preciso dizer que não é pela cultura, nem pela Razão; tão pouco pelo conhecimento ou respeito aos grandes. Você abre os seus livros e eu os meus. Faça sua lista. Os livros são as companhias que permanecem por mais tempo.

Há pessoas que irão te trocar por desenhos animados ou debates sobre idiotices no bate-papo, largue-os por livros. Não é um gesto de arrogância ou coiso do tipo, trata-se apenas de prudência. A longa espera pelo outro que nunca vem e o sentimento do desdém só lhe causarão ansiedade e depressão.

É preciso notar a tristeza e o desânimo generalizado entre a juventude, sobretudo entre a "elite intelectual" da classe média. Mesmo estando tristes e insatisfeitos com suas vidas e com os rumos para o qual elas apontam, estes jovens agem como se acreditassem que a espera pudesse resolver e endireitar suas miseráveis vidas. Esperam também que alguém "especial" irá aparecer para mudar tudo; e enquanto esperam, desdenham de tudo o mais que os cerca.
 E essa é a miséria da juventude, que não crê em si e nem nos seus, mas que deposita as potencialidades que carrega em um grande outro que nunca virá. E assim permanece toda uma geração melancólica a esperar por seu próprio duplo sem o saber; desprezando todos os outros por não o serem cópias perfeitas dela mesma. Buscando apenas encontrar-se a si mesma nos outros.

A juventude pequeno burguesa sofre inconscientemente de narcisismo.

É preciso partir para novas visões; já cansado da visão que se encontra e reencontra por toda parte.


Duas pessoas são capazes de, ao se cruzarem na rua, ter pensamentos igualmente negativos uma em relação à outra; isto é, de como a vida do outro que o acaso nos colocou na frente é estúpida e vazia, e de como ele não nos entenderia a dor e o tédio, pois ele é como os outro. Essa é a massa dos únicos.

Quando nos encontramos com gente nova, temos em média 5 minutos para impressionar a pessoa e a convencer de que somos alguém que ela estava procurando – o que guarda relativas semelhanças com a entrevista de emprego.

(...)
os olhos tristes dos vagabundos condenados


A cela escura e úmida, suja e mijada
paredes riscadas com as mensagens dos condenados

o tempo não passa enquanto você espera
e esperar é tudo que você consegue fazer
os pensamentos que não se fixam
pensando a si mesmos pensando

os gritos que vem de fora
te lembram que você se ferrou

e

os olhos tristes dos condenados,
de desolação
de incerteza;
na mão daqueles...

o concreto é frio

sente-se,
agora você é a escória



L'enfant perdu

a tristeza que arrebenta com tudo

e há má poesia em toda parte
seguida de montes de idiotas e canalhas

e a tristeza que simplesmente arrebenta com tudo

mas que alma triste a minha
que grande azarão

estou aqui

e você nem sabe onde é

e a tristeza que sempre volta
de um jeito ou de outro

e arrebenta com tudo

não consigo ter certezas agora

será que está tudo bem ou será que estou afundando com tudo?
Isso é a ruína ou o caminho a seguir?
nada toma forma, ou será que não percebo?
caminhos que não levam a nada...
quebrar 
quebrar este círculo.

e que solidão é essa?
que solidão é essa que não pedi?
não sei mais o que há além dela.
nem se estou bem ou mal.
estando sozinho, apenas estou.

neste momento, mais do que a solidão
eu quero sumir, me isolar de tudo isso.
que inferno!

e essa maldita visão!
não sou nada
não sou nada

preciso dormir
dormir é quase tudo o que me resta.
sono, o irmão da morte.
porque nem pra morrer estou servindo.

jogo da desconstrução, jogo do arrependido: exercício

escrever pra mim mesmo é fácil. posso fazer isso por um bom tempo. mas não terei muito o que dizer.

eu vi os olhos tristes do vagabundo condenado. eu vi a mim mesmo em uma cela. o que vem depois?

e há a tristeza que sempre acha uma forma de voltar. não é como antes. não mesmo. agora é pior.

são páginas e mais páginas de coisa nenhuma. voltar e ler. como aguentar ? como não ir dormir ?

uma linha um pensamento. justo ou não. mas sempre sincero... sincero e confuso como tudo.

como pude deixar aquilo acontecer? que tipo de idiota sou eu? sou um idiota condenado...

e "você" é só uma palavra. não. é sempre alguém. mas é alguém que nunca está lá onde eu gostaria.

eles riram dos meus livros e de mim. é trabalho deles. fizeram pouco de mim. o tempo dirá quem é o idiota.

depois dessa, não sei o que fazer. parece que o corpo está se desintegrando e a alma minguando.

silêncio. silêncio que vem de dentro. mais alto que todos os sons... todos os sons não o podem preenchê-lo

o que falta o pedaço arrancado o vazio não não agora não é mais como foi um dia não será nunca mais

sono sobre a terra. sono de baixo dela. começo aos poucos a sumir também. a sumir...

primeiros as mãos depois braços pernas e tronco restará cabeça por fim o vazio enfim negro quarto sem luz

logo será manhã logo será manhã mas me permita dormirei dormirei por favor me permita dormir ei

domingo, dezembro 23, 2012


‎"Não quero que ninguém
ignore meus gritos de dor, e
quero que eles sejam ouvidos"


Que diria Artaud, hoje, quando toda dor não expressa de maneira espetacular é ignorada – principalmente aqui, no facebook?



Que diria Artaud, hoje, quando toda dor não expressa de maneira espetacular é ignorada – principalmente aqui, no facebook?

Estar vivo é estar aberto à dor.
E nenhuma dor é pouca.

"A dor é absurda; porque ela existe".

Agora, é o facebook quem pergunta, com toda a indiferença do mundo: "Como você está, Arthwr?



Ainda, é preciso ter cautela, encerrados em suas próprias dores, a dor de todos os outros é constantemente esquecida.

Mas, pode a dor, por si só, se tornar frente política ?
Não creio que seja o caso de uma Política da Dor – nem muito menos da política dos doídos.


A política dos doídos é reacionária, porque quer simplesmente proteger os seus, suprimindo todos os outros. "Política do afeto" é a miséria do nosso tempo. Creio que a a perda das noções entre público e privado constitui, em boa parta, as raízes da crise atual da política.


Talvez eu tenha começado todo o raciocínio de maneira errada:

Não será o facebook o grande Espetáculo da Dor? Da Dor e do Ressentimento.

Temos a falsa sensação de que aqui os outros nos ouvem.
Mas, todos transitamos de dor em dor, uma a cada minuto, como uma simples maneira de não nos entediarmos.


Em uma variação apropriada, Picabia poderia dizer o seguinte:

"Vaiem, gritem, esmurrem a minha cara, e depois, e depois? Direi ainda que todos vocês são idiotas. E dentro de cinco ou dez minutos, todos vocês estarão curtindo os meus novos "posts" no facebook."

domingo, dezembro 16, 2012

my beerdrunk soul is sadder than all the dead christmas trees of the world

Nesta noite, não há maior tristeza do que a minha.

lembro do passado e suspiro
olho para os lados e não vejo ninguém

meus olhos estão cansados
minha vida se esvai em gestos
beirando o desespero
mas sem nunca se entregar totalmente.

não quero que minha dor seja relativizada
sei que minha dor não é pouca

penso com raiva na indiferença
que tantas e tantas vezes já me foi oferecida –
por aqueles que mais amei.

o desgosto me vem à boca.

não quero saber das palavras de quem
"pouco pode fazer"

eu quero que minha dor seja ouvida,
eu quero que ela seja levada em consideração
em cada gesto ou palavra dirigida a mim.

não sou idiota,
sei quando alguém
desvia do "assunto"
fingindo que não vê;
por conveniência
própria.

e é neste momento
que eu sei
que não vale a pena
dividir nem dor
nem alegria
com este tipo
mesquinho de pessoa.

mas é dessa forma que
tudo acontece
durante quase todo o tempo.

sábado, dezembro 08, 2012

a Dor fala

dor

isto é sobre a dor.


mal consigo pensar.

sinto sono e sinto minha cabeça pesada

tento ouvir o que eles dizem na entrevista

e tento formular algo sobre Dor.


me sinto esvaziado

meu corpo é como um corpo velho
com juntas e articulações que não querem se mexer

minha expressão é a da fome
da loucura e do desespero
mas também da desolação e do vazio

meus olhos não dizem coisa alguma
fechando e abrindo vagarosamente
para não se desgastarem

meus dedos pesados e rígidos
trabalham como peças de uma máquina
que já não vale muito
meus dedos são as engrenagens do tempo
arrastando-se através da ferrugem
rachados e mal conservados
mas assim mesmo implacáveis
e intermináveis
uma estátua com força de vontade

minhas mãos coçam

o gosto amargo
a boca seca
a sede e a fome

e essa televisão maldita
que nunca se cala?

o suor do rosto

o tempo quente
baixa umidade


a raiva
uma explosão de raiva
a cólera última
o estrondo derradeiro

a mudança da expressão para algo
além do nada

que condição miserável!

abandonado por todos
encerrado em um corpo

eu os odeio!
eu os odeio...

indiferentes ao amor ou ao ódio
vocês não são mais humanos
piores que esta criatura

eu, a criatura
o inseto
o fantasma

a estátua de pedro fria
com fogo nos olhos
com incêndios na alma

com a raiva que consome
os mais ínfimos pensamentos
transbordando por entre os punhos fechados
como uma taça

o som da mesa
a descarga de forças
o sinal de vida

estou vivo, estou aqui
sinto tudo, de uma vez
sinto meu corpo se mexer
meus olhos se apertam

os dentes apertam a boca
os músculos se contraem
é o fim do silêncio

é tudo que me resta
a raiva
o ódio

a recusa violenta desta situação

o gosto azedo que sobe à boca
os dentes
os olhos
são todos um só
um corpo
um alguma coisa


A DOR

A DOR DE ESTAR AQUI

SENTIR TODA ESSA RAIVA ARREBENTANDO O PRÓPRIO CORPO

as asas que nunca vem
a gaiola que se funde ao corpo
a ferrugem e a feiura
a impossibilidade

O que é tudo isso?

o que é essa condição miserável?

mal consigo dizê-lo sem explodir mentalmente em raiva e angústia
linhas e mais linhas de frases ininteligíveis


e a DOR
A VONTADE DA DOR

o buraco gigantesco na alma
a lágrima negada

que dor horrível, meu deus

o peso de todo o mal do mundo
do mal-estar infinito
contido em algumas horas da madrugada

até isto é inútil

primeiro raiva e depois aceitação

depois a melancolia silenciosa

depois o Sim para a Morte

os segundos gritantes que passam deixando marcas

por favor, por favor
me liberte deste mundo solitário
desta existência encerrada em si mesma
desta prisão de ferrugem da alma



o que está feito está feito
o dano causado permanecerá até o fim dos meus dias.
mas ele não para de se agravar.

a vida se encerra em um sobreviver a si mesmo
em administrar a dor, a loucura, a desolação,
a solidão e a raiva.
todas as forças são gastas dessa forma
não restando mais nada para ser empregado
em algo positivo
em algo construtivo.

lutar com a dor
e a dor nunca tem fim.

e tudo que vocês são capazes de me oferecer é mais dor.

talvez daqui a cinco anos eu não sinta mais nada.
viverei catatônico e indiferente

Da Maneira Como Vocês Me Pedem.

terça-feira, dezembro 04, 2012

esta noite

a poesia é ruim.
ela não virá esta noite.

não tenho o dom.
algumas vezes apenas vem.
mas no restante do tempo,
escrevo pedaços de rascunhos
de cartas pra mim mesmo.



como vocês mesmos
podem ver...

segunda-feira, dezembro 03, 2012

sinking

E, por meio desta, venho lhe dizer que Não Estou Aqui.



Perdoe-me, mas sinto me mal esta noite.


e tudo que consigo ouvir é um grande silêncio, 
um grande silêncio que vem de dentro. 
como se eu mesmo houvesse me abandonado.

...e pouco a pouco a alma deixa
o corpo, para nunca mais voltar...



você continua aí?

espero um dia poder voltar.



http://www.youtube.com/watch?v=OfC4hftKmOQ

domingo, setembro 02, 2012

Os soluços graves dos violinos suaves

Começo uma carta – que se quer extensa – para um certo alguém. Ela então se inicia dizendo assim: "Você não se importa". Que fazer depois de tal constatação, já que a carta toda se mostra inútil.
Angústia.

Coligação Partidária

Agora que tenho as fotos,
já não há mais quem as queira olhar.
nem ela,
nem eu.

(...)

Está frio aqui; o Sol já nasceu e se insinua na estante de livros.
não que seja de grande importância,
mas sou o único que – agora – sabe disso.

Aqui, ninguém sabe onde estou.

Estou aqui.

(..)

... e os grandes pensamentos serão sempre solitários.

... é na solidão que você poderá ouvir as palavras morrendo antes de saírem da sua boca ...

... mas também na multidão...

... é quase igual ...

(...)

a virtualidade do poema
o impede de ser real.

no pior sentido.
[Delete]

(...)


Aqui, neste espaço,
é onde mentimos acreditar em nós mesmos.

Acreditar na mentira
já um terço de verdade.

Acreditamos em mentiras.
Acreditamos em Nadas.

1/3

sábado, abril 28, 2012

Não sabia que Whitman, Verlaine e Li Po se conheciam.. e também à Blake.

Sonhemos, é hora...

As belas noites são feitas para as palavras puras.

A brava brisa brame
E a noite é fria;
Vem a mim, Sono,
E abraça minha agonia.

A lua branca deve impedir o sono.

Eu parto com o ar
Entrego-me ao pó

Se quer ver-me novamente, procura-me sob teus pés.

Dificilmente sabereis quem sou ou o que significo;

Em alguma lugar estarei a tua espera.

Torno a deitar me.

é preciso beber mil frascos
para lavar as velhas mágoas.

sábado, abril 14, 2012

quando ninguém olha, você fraqueja?

"I take a look around,
I know that no one else cares"

Foi preciso muito tempo para
não se deixar levar
pelos próprios pensamentos.

se levantar sozinho
às 5:41.
ninguém por perto
às 5:42
não há ninguém.
se levantar sozinho.

o que você quer que eu lhe diga?
se eu não fizesse, ainda estaria lá.

e depois de tanto tempo
a solidão te ensina alguns truques:
as coisas começam a fazer mais sentido
você não mais espera, e
aprende novas formas de se mover.

pense nisso.
pense que
os outros dormem tranquilos em suas camas
isto só chegará a eles bem depois.
caso queira contar. caso queiram saber.

pensar que ninguém se importa
servirá bem a um coração
crescendo frio.
O tempo
poderá torná-lo torre
--cada vez mais alta.
Mas saiba que a espera
ela, sim, irá te devorar.

esperar
esperar caído
diante do vazio.
--tente gritar,
se quiser.
quem sabe
alguém o escute.

por mim eles nunca vieram.

segunda-feira, abril 09, 2012


chet baker parece tão batido como artaud. 40 anos depois e "cool jazz" é o máximo que sua voz suporta. será que ele realmente se suicidou ou caiu acidentalmente da sacada do hotel de tão debilitado que estava? melhor pensar que se matou."(...) I don't think life is really worth all the ... the pain, the effort, and struggling if you don't have somebody that you love very much""que otário que sou por te querer"e não é tudo um tanto quanto patético ?“O mundo é só desilusão” resumiu Villon. "A vida é um imenso sonho, por que labutar em vão?" perguntou Li Po.Ele deixa seu trompete no banco e sai de cena silenciosamente. Estilo? Com certeza algum.Mas será que também depende da hora?


quarta-feira, abril 04, 2012

mundos vem e vão, enquanto eu permaneço aqui.

bebendo cerveja
escrevendo qualquer coisa

hoje ainda é terça

não encontro o que escrever

quanto tempo mais
terei que sentir passar?

sábado, março 17, 2012

Carta imaginária para quem já andou comigo na chuva

Não sei se gosta da chuva.
imagino que algumas pessoas não gostam por ela "estragar" seus passeios e seus fins de semana. por ela molhar suas roupas e seus cabelos. Imagino também que alguns outros não devam gostar muito pelo medo de que ela invada suas casas.
também o trânsito fica mais lento e as pessoas não querem se demorar no caminho para qualquer lugar. temos pressa até quando não precisa ter. no ônibus as pessoas fecham a janela por você.
não sei se gosta da chuva.
ás vezes gosto de andar na chuva. na chuva mais fina, que leva mais tempo pra molhar a roupa toda, que não penetra fundo por entre os cabelos. e você pode andar devagar e sentir as gotas tocando de leve a pele. E nesses momentos eu me sinto mais vivo do que em qualquer outro. literalmente sinto. e para além do tempo morto esse é um outro tempo. as ruas ficas vazias, as pessoas somem. os barulhos diminuem. e eu estou sozinho. sozinho, mas de um jeito especial. estou diante de um momento em que posso aproveitar sozinho. e devo fazê-lo assim. já que este é como melhor posso fazê-lo.
não sei se gosta da chuva.
sábado domingo ficar em casa e olhar pela janela. nada em especial pra fazer. se chover ou não, não faz tanta diferença. um raio ou outro.tanto faz. na verdade é bom quando chove em um domingo. pois é quando menos importa a solidão. já que talvez sem ela não fosse possível aproveitar esse momento. não? como dividi-lo com alguém? Não sei se é possível nesses termos. nesse tempo que é só meu. nesse tempo ao qual eu me inscrevo e determino a duração. a chuva não conversa, a chuva não olha. mas ela está lá e você pode ficar o tempo que quiser. enquanto durar.
não sei se gosta da chuva.
lembro que a primeira vez que eu te vi, chovia. você tinha seu guarda chuva. não me ofereci para segurá-lo até que me pediu. por que será?

segunda-feira, março 12, 2012

Frank Harris ficaria orgulhoso

Até cães selvagens andam em matilhas, bem diferente da solidão conjunta marcada pelo individualismo pobre e egoísta das maiorias. Por isso digo: Não há união como a união dos párias, pois trata-se de um verdadeiro pacto existencial.

quarta-feira, março 07, 2012

sou o único pedaço de papel rasgado que sobrou de algum livro.

já chorou de solidão?

esquecimento ou reclusão?

olho pela janela,
que,
como um espelho,
me mostra
o que eu já sei.

mas são luzes que pouco dizem.

será que alguém
de lá olha também?

quarta-feira, janeiro 25, 2012

somente anotações para algum futuro

escritos em uma certa ocasião, os trechos se apresentavam:

Isso não é um apelo ou um manifesto, mas dirige-se apenas a quem quiser ler. em princípio não penso em me desgastar tentando argumentar ou convencer. nem mesmo estou com disposição para isso.

e sem modificações eles permaneceram:

confesso que às vezes entro na comunidade buscando algo, que entro pra ver se tem "algo pra fazer". Leio os tópicos e me sinto incapaz de responder e de participar; de ajudar a quem escreve.


todos com problemas parecidos em maior ou menos grau. Problemas que alguém já teve ou vai ter. Talvez situações seja uma palavra melhor.

então, na sua cabeça, você então se dá conta de uma multidão abandonada. pessoas das quais não se tem nem ideia, pessoas que ninguém vê ou presta atenção. e quase todo mundo é assim em algum momento.

(...)

e alguém lhe diz "ora, você precisa sair mais". e você não tem como explicar. não quer. não pode. e então deseja que tivesse ficado calado.

(...)

Não precisa nem pensar muito. ninguém vai querer te tirar dessa; se aproximar porque simpatiza com você: "ninguém gosta de pessoas depressivas." então você se dá conta que se quer arrumar seus amigos, namorada, ou o que for, você vai ter que sair dessa sozinho.

Mas talvez outra questão possa aparecer.

(...)

“A sociedade, tal como vocês a constituem, eu a odeio. Eu sempre a odiei e vomitei. (...) Desde que encontrei na literatura um exutório, meu ódio tomou uma outra forma, menos pessoal: ele não se traduz mais num impulso interior mais ou menos acidental, ele se deduz de uma filosofia aclarada pela experiência. De um rancor nasce uma idéia. E essa idéia torna-se, à medida que avanço dentro de minha obra, mais serena e mais indestrutível. Eu o sei, eu o testemunho: a ordem social não se mantém senão ao preço de uma infernal maldição que aflige os seres, dentre os quais os mais vis, os mais nulos estão próximos de mim – quer isso agrade a vocês ou não – que qualquer burguês virtuoso e assegurado. Para sempre eu me fiz intérprete dos dejetos humanos, dos resíduos que apodrecem nas prisões, debaixo das pontes, no fundo da fétida podridão das cidades”.

(...)

Algumas vezes penso que certas pessoas não se desenvolveram completamente, a sociedade, seus valores, suas imagens e dispositivos as podaram, as estragaram; fizeram-nas crescer tortas. Talvez elas sejam impróprias para esse mundo. nunca conseguiriam ser em completitude consigo mesmas. não que elas tenham um estágio final ou que sejam superiores, mas que seus caminhos estão bloqueados. Resta-lhes renunciar ou se conformar.

(...)

Quando Camus diz que a questão mais importante está em escolher ou não viver a própria vida e tudo o mais é respondido em consequência disso, me parece que a máxima existencialista de que "o importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós", é cruelmente reafirmada por ele.

(...)

talvez nosso tempo já tenho acabado: é tarde demais para querer se tornar um adulto; para querer se tornar "alguém". nossa incompletude e imperfeição maior já estão dadas. não nos resta nada por fazer, apenas a melancolia decorrente. teremos que viver como crianças perdidas o que nos resta de tempo. In girum imus nocte et consumimur igni. Vagamos pela noite e somos consumidos pelo fogo.

(...)

Nada falta ao triunfo da civilização. Nem o terror político nem a miséria afetiva. Nem a esterilidade universal. O deserto não pode crescer mais: está por todo o lado. Mas pode ainda aprofundar-se. Perante a evidência da catástrofe, há os que se indignam e os que agem, os que denunciam e os que se organizam.

(...)

Outros virão. Não somos os primeiros; se tudo continuar tal e qual, com toda certeza não seremos os últimos. Até quando?

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Alguém escreveu o seguinte: The age of revolution may be over, but the age of refusal is just beginning.
Acredito que isso não é nenhuma referência ao john zerzan; nem mesmo que a intenção tenha sido a de fazer um prognóstico crítico-pessimista. O que quero realmente dizer é que essa constatação parece saber de algo que quem a escreveu não o sabia. Essa frase soa como um enigma no meio do texto. Um relâmpago inconsciente e esclarecedor sobre leituras mal digeridas, para logo em seguida voltar ao seu antigo domínio? haha Claro que não. Basta apenas que você alinhe essas duas frases para então ver um outro sentido nessa fala toda: (1) Que importa quem fala, disse alguém, que importa quem fala; (2) Plagiarism is necessary. Progress implies it. It holds tight an author’s phrase, uses his expressions, eliminates a false idea, and replaces it with just the right idea.
Agora volte ao começo.

domingo, janeiro 01, 2012

O suicídio é...

"... um ato de heroísmo." (Sêneca)
"... um ato próprio da natureza humana e, em cada época, precisa ser repensado." (Goethe)
"... a destruição arbitrária e premeditada que o homem faz da sua natureza animal." (Kant)
"... uma violação ao dever de ser útil ao próprio homem e aos outros." (Rousseau)
"... admitir a morte no tempo certo e com liberdade." (Nietzsche)
"... uma fuga ou um fracasso." (Sartre)
"... a positivação máxima da vontade humana." (Schopenhauer)
"... todo o caso de morte que resulta direta ou indiretamente de um ato positivo ou negativo praticado pela própria vítima, ato que a vítima sabia dever produzir este resultado." (Durkheim)

terça-feira, dezembro 27, 2011

quando você mais precisa de alguém

quando você mais precisa de alguém


levantar da cama é um suplício.


tentar dormir é simplesmente agonizante.




você não sai de casa;


não conversa com ninguém.




e as conversas normais,


sobre garotas,


sobre política,


ou música,


fazem você pensar


o que está mesmo


fazendo ali.

segunda-feira, dezembro 26, 2011

sentimentos ruims também cabem em poesias ruins

não consigo dormir
me falta sono
me faltam motivos
me sobram motivos

estou aqui agora.

nada pra fazer
nada pra ver

repetindo linhas
frases

parece que tudo já foi feito,
que já procurei por todos os lados
e não há mais o que fazer.

tenho pensamentos estranhos.
penso na possibilidade de pensar
em certas ações
estranhas a todos.

parece que eu sabia a resposta
a um bom tempo atrás,
mas a perdi
e agora é mera questão de tempo
até perceber
e aceitá-la novamente.

parece que estou em um caminho que vai me levar até isso
novamente.

não sei se ligo
ou se espero.

Aceite isso, se puder.

é triste saber que tudo agora foi simplesmente guardado em um gaveta.
e Você sente algo arranhar sua alma
quando descobre que o que fez, sentiu, pensou e construiu
simplesmente cansou o outro.
ela Perdeu a admiração.

Isso rasgou a minha alma em duas!

e a forma banal de dizer...

Quer que eu dance um pouco?
ou lhe conte uma piada?

isso eu nunca vou entender. Me parece absurdo.
e Ficar largado é tudo o que eu consigo fazer.

um fazer nada incessante.

Isso parece tudo tão absurdo.
acho que ainda não consigo acreditar.

Usado e jogado fora
uma garrafa vazia no lixo.

Sou um personagem de desenho animado
largado no mundo real
pra morrer.

só pode ser isso.

domingo, dezembro 25, 2011

foi como um prato frio

depois de sentar e chorar durante a tarde,
aquilo não era nada.
não era porra nenhuma.
o pior é ter que fingir;
fingir algum interesse.
se esforçar para dar alguma resposta,
prestar atenção nas conversas...

e os filmes de natal, os filmes bíblicos...

e tudo aquilo não quer dizer nada.
e como se o mundo fosse de papel,
você queria poder rasgá-lo,
para então jogá-lo no lixo
e esquecer tudo aquilo.
ao menos isso...

terça-feira, dezembro 20, 2011

um bom conselho

um bom conselho:
evite de a procurar na multidão.

e você sempre a procura,
sempre olha
e sempre a vê.

mas ela não está lá.

e é melhor assim...

niguém; alguém

sinto cheiro de cachorro morto
e de vômito
o tempo todo.

tem um cachorro morto
no meio do caminho pra minha faculdade.
e ele fica lá, apodrecendo.
dentro de um saco preto de lixo.
as costelas pra fora.
seu sangue pingou todo no chão
seu pêlo sairia só de passar a mão

agora o queimaram,
mas não fizeram isso direito
ainda restam pedaços grandes de carne
e ossos.

ninguém o quer.
nem a morte ou os vermes.

fui pra casa no outro dia,
tão bêbado como em outros tempos
corri dos amigos
acho que quis evitar despedidas.
mas ele me pegaram depois.

lembro de vômitar
e dormir no banho
longe de todos eles.

onde ninguém podia ver.

terça-feira, novembro 22, 2011

olá?


como você vai?





Sei que não posso perguntar isso agora.


E que não aguentaria ouvir sua resposta


sabendo que não posso fazer parte dela.





Queria poder ter você ao meu lado novamente.


Por que teve que ir?





Sinto tanto a sua falta.





A memória que não quer morrer


Não consigo acreditar que não vou mais te ver


nem entrar no seu quarto,


sentar na sua cama,


e olhar enquanto você pega um casaco no armário


pra se proteger do frio.


pra logo se juntar a mim.





Agora, são apenas essas memórias


que não cansam de se juntar a mim


nas noites mais frias e solitárias,


nas noites de sextas,


fins de semana


e madrugadas.





Sei o que iria me


dizer agora.





Não é algo que eu gostaria de ouvir





Queria que essa sinceridade de agora


houvesse se manifestado por nós.





Gostaria de entender.

quarta-feira, novembro 16, 2011

já não era hora?

Sempre penso em escrever uma carta imaginária para ela.
Em contar tudo o que eu pensei, refleti.
Dizer o que sinto.
Alguns podem dizer: passar tudo a limpo.
Sinto como se nunca tivesse feito isso, em bem verdade.
Algo muito estranho aconteceu naqueles dias.
Nunca vou me conformar.
Um dia talvez pergunte a ela...

Não sei quando.
Até lá vou continuar conversando comigo mesmo
e fingindo que tem alguém ouvindo.

O que poderia ela me dizer?
Nossas últimas conversas foram as mais tristes.
sentir que não há mais nada
saber que ela provavelmente não pensa nisso.
e que deve dormir muito bem de noite.
Sábados, fins de noite e domingos não são problemas.
Realmente dói pensar que é isso tudo o que resta
depois de tudo...

"E quando ela se foi, me levou quase tudo".

Não há muito o que fazer
e nem o que conversar.
Eu não posso, não consigo
Me parece absurdo pensar que está tudo bem agora.
Me parece desmerecer tudo o que houve
Fingir
Ser um bobo e deixar ser pisado.

Apenas se negue a isso.
Fique em silêncio.

O que eu quero é evitar a dor.
A dor fácil.

pra depois domesticá-la
colocar nela um chapéu e pedir que dance por moedas.
isso é o que mais há de repulsivo por aí.

"antes de abrir a boca e falar o que sente, e expor o seu esntimento mais profundo, tome mais um trago".

uma cerveja.

domingo, outubro 09, 2011

às vezes eu penso em desistir.

São 4:30. Não fiz nada o dia todo.
Não tive vontade de sair. Não quis. Não sei.

Hoje, aproveitei que a luz acabou e resolvi tirar as fotos antigas do celular, as enviando pro meu email. Estou sentindo as consequências até agora.

Não relacione as duas coisas. Seria um erro ligar um ao outro diretamente. É mais complexo que isso. Eu sei, senti isso esses anos todos.

desespero... e outras coisas.

Nessas horas somos menos que sombras.
Por que eu não posso seguir calmamente como os outros?

Talvez você não entenda. Só queria contar. só queria que soubesse.

sábado, outubro 08, 2011

"I wish today could be tomorrow,
The night is dark,
It just brings sorrow anyway."

Às vezes não dá pra não chorar diante desses pensamentos.
Mesmo não sendo a tristeza que provoca essas lágrimas,
e sim a saudade que não quer acabar,
das memórias tão belas e felizes,
das lembranças tão doces daqueles dias,
daqueles sorrisos e risadas,
dos beijos e das palavras tão lindas de amor,
trocadas como promessas.
Eu ainda as lembro, todas elas.
E essa noite eu desejo que o hoje ainda fosse ontem.

segunda-feira, outubro 03, 2011

vinho e desespero são só duas palavras estúpidas pra ilustrar um poema igualmente estúpido

você pode até contar,
dizer a eles
sobre aquela noite
em que achou que
iria morrer,
mas não tem como
eles realmente saberem,
sentirem
tudo aquilo.

de quê adianta
uma única palavra
pra dar conta daquela noite toda?
de toda a solidão,
do desespero,
e da loucura?
o vinho que nunca
bastava,
a dor agonizante
rasgando seus pensamentos
com ferro quente
feito dos seus sonhos,
a memória
tão viva...
falsas esperanças!
e você sabe,
sabe que não...


então,por um instante,
você pensou,
pensou naquilo denovo,
e teve pena de si mesmo.
talvez...
você não sabe.
está tudo se fechando,
vindo de encontro
a você.
talvez aconteça...
mais cedo,
mais tarde...
espero que não.
as coisas não tinham mudado?
sim,
por um tempo.
agora é tudo um pouco incerto.
confuso
inútil
vazio
...

então, a sabedoria milenar
te diz:

"espere
gelar
e
abre
sua
cerveja."

até quando?

até quando fingir isso
pra terminar um poema de merda?
você não tem nem idéia...
realmente vou abrir uma cerveja,
mas não vai ficar tudo bem.

domingo, outubro 02, 2011

e pensar que uma vez
disse todas aquelas coisas
escrevi
pensei.
tudo se foi agora.
Mal nos falamos.
nunca mais nos vimos
e a falta que me faz
não pode ser medida.

agora sou só mais
um alguém
que mal existe.
ninguém te espera
ninguém liga pra ouvir sua voz.

alguém veio e fez sua da sua vida
um lugar melhor.
depois foi embora
levando tudo que podia,
até mesmo sua motivação
de querer acabar com tudo.

e nos fins de semana
você pensa.
em tudo aquilo,
pensa no que está acontecendo
naquele exato momento
e se odeia
se sente um lixo.

e durante a noite
está tão fraco
tão vulnerável
a todos aqueles pensamentos.
não há para onde correr
todos estão em outro lugar
fazendo suas "coisas".
você está afundando enquanto
isso

e esse vinho que não sobe?
pare aqui,
pois
esse é o fim.

sábado, setembro 24, 2011

sua melhor conversa

"eu sabia que
iria sempre procurar por ela
em outras pessoas."

alguém disse isso em um filme
faz sentido.

vai levar um tempo
até você aceitar,
até ver beleza em
outras pessoas.
&
Aquelas conversas,
momentos,
o jeito de alguém olhar
ou de fazer algo,
agora são só memórias.

será que vale mesmo a pena
querer repetir
tudo de novo,
com outro alguém?

não posso responder isso agora.

domingo, setembro 18, 2011

o que você vê?

indiferença

você se sente mal
profundamente mal

nada pra fazer
nunca

vontade de quê?

vontade de nada


se sente nessa cadeira
nesse degrau da escada
vá para o quarto
morra de angústia
de tédio

volte pra ver tv

escute alguém reclamar.
fique quieto.

ensaie ver um filme
não faça nada

tente chorar
não consegue.

converse com alguém
respostas que você não quer
não precisa ouvir.

converse com ela,
fique tão pra baixo
que deseja nunca a ter conhecido.

sente no sofá,
olha pra parede
fique num canto
não responda
desligue
apague as luzes
ouça a mesma música.

nada disso
nada

você mal sabe o que quer
confuso
não quer morrer, terminar assim
conversas são sempre piores
por incrível que pareça,
palavras duras, palavras burras
respostas rápidas, respostas prontas
ninguém entende
não mais
ninguém sabe como é
como foi
todos aqueles anos
aquelas vontades, pensamentos
o ódio
a dor
e noites longas e solitárias
os escárnio pelos seus sentimentos
mais fortes
o medo da rejeição
a rejeição ela própria.

e tudo volta.
tudo passa
e tudo nunca passa
nunca termina
nunca começa.

você aí
você aqui
você não está nem aí
em lugar nenhum

acabou

alguma coisa

queria que sim
queria mesmo

queria tantas coisas

todos aqueles sonhos

lixeiras verdes
azuis

todos eles, agora

quem se importa?

disse tudo aquilo,
e foi a primeira a ir

disse tudo aquilo,
mas quem sente sou eu
já você...
nunca esteve tão bem.

espero que fique assim

e
obrigado por essa merda toda,
por ter jogado tudo fora.
não pude evitar de recolher.

sábado, setembro 17, 2011

não paro de pensar.

sempre depois da aula
ou quando fico sozinho
é inevitável.

posso sentir ódio,
mas constantemente
me vem a saudade mais forte
que já senti.

às vezes penso
em mim,
em tudo que deixei de fazer,
vejo que me deixou
por minhas fraquezas.
E nunca mais,
penso,
vou conseguir sentir
tudo aquilo,
daquela forma
tão inocente e doce...
você sabe,
teme,
teme que te deixem
outra vez.
e isso
vai te acompanhar pra sempre.
ao menos se eu puder me levantar de manhã
e não me sentir tão mal,
acho que já vai ser alguma coisa.
__________

sexta-feira, setembro 16, 2011

ânsiedade

Chego em casa
brinco com o cachorro,
ele quer isso mais que tudo.
entro, pego algo pra beber.
logo vou me sentar na minha
cadeira
vou ligar o computador,
beber o que estiver no
copo.
cheque suas mensagens,
veja se têm alguém pra conversar
ou alguma novidade.
em pouco tempo
você descobre que não há nada ali.
sobe toda a página denovo.
olho em volto,
olha pra tela,
checa denovo se não há ninguém
pra conversar.
pensa em mandar uma mensagem
pra alguém.
o que mandar?
deixa pra lá...
não tem ninguém.
seus olhos se voltam
novamente
para o nada.
você se pergunta:
"o que agora?"
"o que fazer?"
lentamente fecha
todas as janelas
se levanta
desliga a tela
e vai jogar sua tarde
fora.

Sozinho.

terça-feira, agosto 30, 2011

3 alguma coisa

Você está triste
ou na verdade queria
estar triste?

Porque parece
que no fundo
você não sente nada.

nada mesmo.
___

queria estar triste,
sentir de verdade
alguma emoção forte
para poder assim
exteriorizar essa dor
e ser ouvido de alguma maneira.

Mas, o que fazer
quando parece
que não há nada?
___

Sempre escrevo sentado,
às vezes deitado,
mas gosto de escrever.

Na verdade gosto de sentir,
mesmo a pior das dores-
vamos dizer que "prefiro".
Versos melhores nascem
dessa maneira.
Ou ao menos é mais fácil,
mas fácil pra pensar sobre
e articular com o todo,
com a vida social.

Quando não se sente
nada,
não se sabe por onde começar
ou
o que dizer sobre.
Como pensar a relação com
o todo?

Você sabe que tem algo errado,
ás vezes com você,
(nunca exclua essa possibilidade,
para bem ou para mal)
mas constatemente
- se for esperto-
saberá que o todo tem parte nisso.

quarta-feira, agosto 17, 2011

"não importa o que eu acho"

Tudo estava claro

chorei pelo fim, mais uma vez.

parece que fui enganado
ou
o contrário.

e assim,
quando ela
finalmente
se deu conta
estava tudo acabado.

não sei,
só espero poder sair dessa.

Provavelmente irá acontecer novamente.
Melhor não deixar que a próxima descubra
sua fraqueza mais densa,
mais forte.



_________________________

(é isso que acontece, você se abre e divide tudo com alguém e quando menos espera, ela irá embora. Não gostou do que viu. se cansou e quer alguém mais simples... motivos honestos. Mesmo que você ame a pessoa até na sua mais miséravel imperfeição, ela simplesmente irá fazer isso se realmente quiser. E não me diga que "garotos são assim", ou tolice do tipo. Olhe pra dentro de si mesmo e examine a sua essência humana. Talvez sejamos todos assim.)

Sou uma pilha de pedaços, agora. E só sei que vou continuar a chorar por várias noites seguidas.
Enquanto isso, todo o resto não liga. Desespero. Desespero profundo. Tenho medo.

POR QUE NÃO DEPOSITA O SEU SERMÃO NA CAIXA DO CORREIO PRA UM DESTINATÁRIO ALEATÓRIO?

Não quero saber.
Não me igualem a ninguém.
Até parece que você sente o mesmo.

me deixe aqui.
adeus.

guarde suas palavras ridículas.

longa temporada solitária.

segunda-feira, agosto 15, 2011

Paciente número 56987654

Não pude nem ler o texto
é tão forte a memória,
a saudade.

a dor de não poder
correr pra onde quer
e a impossibilidade de ter
o que mais se quer.

"Uhum, entendo"

Estou preso,
preso em um quarto
onde só uma das portas está fechada.
mas como sair pela outra?
Se eu pudesse abandonar essa sala...

"Não se preocupe garoto, vai passar.
Mesmo que tenha que levar seus intestinos embora,
sangrando entre os dentes, vai passar."

"E você será só um ser incompleto,
como agora.
Mas sem a agonia
e a esperança
que só pioram tudo."

"Sabe,
você só pode agonizar
enquanto estiver vivo."

"Depois disso,
não sentirá nada."

"Fique tranquilo.
E tome aqui esses remédios."

segunda-feira, julho 04, 2011

A cada um o seu direito

Se foi.
te esqueceu.

e assim é,
pois a mulher é mais forte.
Por isso bebe menos cerveja.

Eu era só um garoto,
ela estava procurando alguém.

Agora já é tarde.
Está tudo terminado.
Mesmo que só eu ainda lembre.
É tão difícil esquecer.

às vezes, pensando em seguir,
me sinto mal,
como se inconscientemente
sentisse culpa.

Ela já está em outra.
se quiser pode chorar um pouco
e nada mais.

Se sentir esquecido,
como se aquilo
nunca houvesse acontecido.

Uma pena que não consigo
esquecer tão rápido... acho.

Pergunte ao pó

Nunca vou entender o que houve naquele verão.
talvez não deva.
Mas sempre vou perguntar:

Quais razões levaram ela embora?

Em algum momento a trajetória seguiu para esse caminho?
eu sentia, mas ela não acreditou:

"Era normal"

Não sei.
Espero que não.
E tudo agora é muito estranho,
nada vai voltar.
Mas, o mais terrível é sentir que nunca mais
irei me envolver com alguém da mesma forma.
Que nunca mais vou poder ter aqueles momentos,
aquelas sensações e conversas.
Não consigo acreditar que os terei com outro alguém,
me parecem tão frios, distantes e sem amor.
Sinto que tive sorte.
Desde o começo disso.
Os outros não ligam, eles gostam de ficar sozinhos,
de evitar contato com pessoas que não os entretenha 24 horas por dia. 
Eu, eu nunca poderia fazer isso por ninguém.  
A maior parte do tempo estou procurando por algum conforto,algo que me preencha a vida.é um pouco triste carregar todo o peso das suas próprias ações.Sentir o vazio que as acompanha.E só existe você.

O que houve?


-nada, só estou triste.
-Não minta pra mim
-tenho medo.
-medo do quê?
-tenho medo do fim.
-da morte?
-Não, do nosso fim.

Vou me sentar em uma cadeira e esperar.
Como agora.

Você pode ver?
Posso, não há nada.

Achei que aquilo tudo foi especial,
mas ela já esqueceu.
E isso é o que mais me dói,
desolação maior,
deitar toda noite com fantasmas
sabendo que sou a parte mais fraca,
como se,
na verdade,
tudo aquilo tivesse sido especial apenas pra mim.

Uma parte minha está gelada pela desesperança
Medo de se ver de novo assim
Medo de nunca mais sentir
amor.
A morte em vida,
a solidão da alma.
a incapacidade de amar e ser amado.
Impossibilidade de viver plenamente.

Feche-se em si mesmo.
Há algo errado.

Talvez...
Não sei.
Se ao menos...

O que pensar?
O que dizer?
O que fazer?

Não tenho nem grande vontade em tentar
As pessoas parecem não valer a pena,
querem antes de tudo o seu sangue,
sua alma.
E você só quer alguém que se interesse de verdade.
Que se importe e não vá embora tão rápido como chegou,
te esquecer e tentar outro.

(...)

O que houve conosco?

"Pergunte ao pó."

quinta-feira, junho 23, 2011

1
Antes de começar a escrever, eu olhei para minhas mãos. Elas estavam machucadas.
Ontem, deliberadamente sem motivo, eu levantei os braços para um alongamento rápido. Erro primário, olhe para onde se move. Havia uma trepadeira com espinhos avançando para fora da parede, crescendo para além do permitido. E foi assim, sem ver, sem saber, que eu invadi uma área antes livre, mas que agora estava ocupada por plantas pontudas e de poucas folhas. É estranho pensar nisso e tentar relacionar com a própria vida, com o momento presente e até com a condição atual de "humor". Você sabe: mão que escrevem, elas estão machucadas, coração partido e uma tristeza que não passa. Não algo muito grande, mas uma sensação de desconforto, de deslocação e incompatibilidade com outros. E logo, afastado por vontade própria, pela solitude, você se sente em um processo de alienação. Não estou falando de política ou da situação económica do país, estou falando em apatia e distanciamento passivo da vida social. Estou fazendo o que posso para não ficar assim, mas constantemente me percebo sem interesse e sem ânimo.
Você talvez não saiba, mas as mãos estão aí como extenção da vontade, do desejo. Levante a mão e pegue o que deseja, faça o que está nos seus pensamentos.Quanto a mim, agora não posso, já que minhas mãos estão machucadas. Talvez você entenda.

2
Nesse momento estou aqui. Nesse momento estou. Nesse momento.
Estou aqui me descontruindo pra você e tudo o que quer é só mais um pedaço de mim?
Quem diabos é você?

3
Pequenas coisas. Pequenos gestos.
Pequenas frases que você leu por aí.
(Talvez pequenas vidas.)
E você joga tudo fora.
Você não sabe ser de outro jeito.
Só quer o que acha que lhe pertence.

terça-feira, junho 07, 2011

Domingo foi um dia em que eu não existi
não fiz nada
nem deixei de fazer

não vivi,
e tão pouco pude morrer

ficar trancado em um quarto mal iluminado
não havia alternativa?

estar lá...
não estar...
tudo tão igual.

sentimentos que existem apenas em pensamentos

ninguém
para senti-los

depressão também dá em macacos

sozinho

escrever é a única ação válida

acho que ninguém entenderia.
querem cortar o assunto,
nivelar.
as respostas são ridículas.

melhor ficar quieto

esperar por mais tempo

sabe,
as "coisas" tem duração
e algo chegou ao fim.

palavras jogadas

dores de cabeça me impedem de pensar direito.
mal consigo escrever essas palavras
pra esquecer um pouco do resto.

imagens mal formadas aparecem
pra mim
lampejos tão fracos de vida
de vontade.

não poder escrever aquilo que
realmente se sente
não devo ter aquela chave...

ânimo de um cão batido

todos eles

pra quê continuar, afinal?

segunda-feira, junho 06, 2011

tente

tente dizer o que não pode escrever

tente dizer o que não pode escrever


há certos pensamentos que não saem com facilidade,
eles são tão sombrios que a consciência não os permite representação direta.
suas sombras podem ser percebidas em algumas ações,
mas ninguém vai poder dizer o que realmente são.

tente escrever o que não pode dizer.

você sabe, oh, sim! você realmente sabe. é só se esforçar um pouco e lá estará ele. Talvez um esforço maior. Um esforço gigante. Talvez isso te destrua por completo. Nem você pode aguentar. Algumas ideias e sensações. Sim! Não pense nisso agora, então. Deixe que ele venha quando for a hora. E a sombra tão negra sempre vêm. Seu olhar se perde em meio a isso. Quer tentar jogar? Você não pode nem mesmo se quisesse.
Agora é tarde.

Pegue um bilhete e entre na fila de espera. Um banco de praça e comida da feira. Meu braço, por que segura ele? só imaginando... abraço. E são todos tão brilhantes, tão maravilhosos. Espero que alguém acabe com aqueles sorrisos. Jogar bilhar. Vamos andar por aí, vai ser a melhor pedida, e o céu já está escurecendo. É maravilhosa a vista. Mesmo que só você possa ver. Estou falando sozinho aqui, como se estivesse tudo bem. Pensar geralmente tem me deixado triste. Ler algum livro, algum texto. levar a consciência para longe. Viajar para esquecer. É como se trancar em casa por uma semana e sair, parece que o mundo é outro. Que as coisas andaram sem você, e o pior foi enterrado, superado. Ser um estrangeiro, alguém sem passado com possibilidades de futuro. Se sentir velho e ao mesmo tempo novo. Renovado.
Acho que deverias passar um tempo fora.

o vento deve assoprar as folhas mais uma vez. Perder algumas delas para que sejam substituídas. Você deve entender.

Sozinho no quarto, até que enfim. Por quanto tempo?

Preciso ir agora.
Foi um prazer. Foi mesmo.
Desculpe
preciso respirar
me dê









me


estou

estou


por quê?

por quê?



você viu? você chegou


preciso r a cama

as pinceladas podem ser vistas

você eu você sou eu

escrevo de novo


pode ver? olhe
estou como
sempre quis


gosta agora? gosta do que vÊ?

espere mais tempo um olhe

as partes do papel cortado se misturam em um só
mas não é a mesma coisa

voc eu devo dizer

estamos aqui

olhando pra isso dever ser muito engraçado você quer que se foda

você é tão eu assim?
você é o quê? você é é isso

vou estourar não pode ver? e amanhã vai estar tudo bem
porque é sempre assim
cervejas antes e depois depois

logo logo

e direi mais uma vez: estou acabado

quem quer saber?

kafka, mosca,

Me lembre de contar aquela história depois
sobre se arrastar por um hospital com dores
e o velhote com orelhas manchadas é um ser mitológico
que se senta em sua sala e reina sobre o tempo
e sobre o destino

mais do que isso

ele é um burocrata
e ele abre a porta só quando é preciso
e trabalha como um guardião de ferro
ele lhe dirá quando passar,
mas até lá você pode não aguentar
o calor das máquinas.
sente e abra um volume da vida
cotidiana morta.
copos servem água
e você pode ouvir sons.
de onde vêm aqueles papéis na mão dele?

um arquivo gigante

folhas infinitas
o livro de areia
ferrugem extática
e gavetas a perder de vista.
é o inferno.
pior que isso, é um hospital.
buracos de ratos levam informações
você nunca vê nada
é tudo um sistema só

espere infinitamente
eles tem todas as suas informações
sabem mais sobre seu corpo
do que você mesmo
as suas doenças
estão na imaginação deles
lhe dirão que tem
assim como o que não tem.

dê uma volta.

comer é como ser algemado
tem algo dentro de você agora

você deve ser muito estranho.

"venha cá para lhe tirarmos
o sangue,
aplicar isso e aquilo"

você nem desconfia

"agora, vá para casa."

quando tiver que voltar,
você saberá.

eu

Sentar como um louco
e bater nas teclas
esperando.

é como assoar o nariz
mesma lógica. é igual

as coisas todas caminham para o esvaziamento

você pode ver?


pegue essa folhar em branco na sua frente
este pode ser o melhor poema do mundo,
porque ele é a forma última da expressão

a linguagem sempre buscou sua própria destruição,
até hoje.

Olhe ao redor
e você verá muito mais que isso.

mesmo que ninguém tenha realmente algo a dizer
eles querem dizer exatamente isso
com enxurradas de letras estúpidas.

agora você já sabe

domingo, junho 05, 2011

você poderia pegar minhas malas?

Precisa de uma cerveja desesperadamente,
cair por aí e dar um tempo.

é domingo de noite
e olhar pela janela é como se olhar no espelho

talvez
você ainda tenha algumas palavras
em um canto da boca,

as pessoas devem achar engraçado
estar puto da cara
elas mal devem poder sentir
algo de verdade.

o que dirão disso aqui?

olhar pra frente e dizer:
estou acabado
levantar a cabeça um pouco...
é tão difícil

ser um grande imbecil

o que tens agora?
sentir
ou
escolher?

era mais fácil antes.
de alguma forma


foi tão rápido.
algumas horas

a segunda vez

lembrar que passou a noite chorando
e ninguém nunca vai saber
talvez isso seja o pior

se uma árvore cai
e não há ninguém por
perto para escutar,
será que ela realmente fez barulho?

tem alguns cigarros no armário
mas você esqueceu de comprar o vinho
a cerveja não foi a única coisa que acabou.
não importa.

a noite sempre vêm.
o crepúsculo de tudo.
sempre.

o que você ia dizer mesmo?

linguagem?
o que tenho eu pra dizer agora?
colocar em palavras a confusão mental?

o significado não me serve,
a função fechada da palavra é a mim repressiva.

você pode até achar que isso é sobre recombinantes,
mas no fundo é um poema impossível sobre tristeza.

depois do fim tem a curva

Está tudo acabado.
ela não precisa mais de você.
as coisas se inverteram de alguma forma.

se sentir menor
exposto

você pode ver a cena
pode ler os pensamentos de pena
e ela diz alguma coisa
sobre você
à qual você nunca teve acesso,
não queria lhe aborrecer
mas agora ele sabe
e você só pode se torturar

sábado, maio 21, 2011

Fechem as janelas antes de começar, sim?

Há um baixo e uma bateria mas não há nem dez pessoas na sala...
quem dera coubessem 15.

Uma sala com piso de madeira.
As paredes estão descascando.
Pele de cobra.

Um tapete velho e desbotado.
poeira.
Caos contido, Caos.

Ninguém sabia o que poder acontecer em seguida
o ambiente é extremamente instável,
inflamável como filmes velhos de nitrato.
Talvez ninguém perceba, mas sala pode simplesmente explodir
a qualquer momento.
o ar entraria em combustão e as chamas tomariam conta da casa.

o som é tão grave que faz tudo tremer
o assoalho treme, você pode ver a poeira pulando
a sala, seus órgãos internos...

"você pode sentir?"


ninguém aqui vai esquecer disso tão cedo.

quarta-feira, abril 20, 2011

epifanias do cotidiano 1

sento na minha cadeira
beberico minha cerveja
e
penso:
cara, espero que essa dure pra sempre.

terça-feira, abril 05, 2011

como nos quadrinhos da luiza

acordei

hoje

algumas... coisas

o que era bem aquilo?

enfim.


saio


ainda há muito
o que
fazer

...




Não sinto como ontem

pior

não sinto

nada

nada acontece por acaso
quero dizer,
tudo acontece por acaso...


vou lá fora

ver


tem mais alguma coisa aqui?

não

foi só minha imaginação

tem um vidro de acetona aqui na minha frente a um bom tempo

Persistência é inútil
você não acha?

mas lembre-se;
ELES QUEREM QUE VOCÊ DESISTA

todos eles

perguntas e mais perguntas

mas você vai indo
se acostumando devagar...
a dor é cada vez menor

mesmo que
a sua consciência fique
em
p e d a ç o s

quarta-feira, março 30, 2011

manhole for a rat

Eu sou um rato...
e eu digo isso bem baixo
porque eu sou um rato

não espere por gritos,
palavras de ordem,
pedras ou frases de impacto.

não tem nada aqui
além de mim.
da minha carcaça...

Parece que estou sempre sozinho
e o dia
e noite
são iguais.
a comida é sempre ruim
e o sono é um suplício.
tenho medo de ficar aqui pra sempre
mas também tenho medo de sair lá fora.

Por favor, pare com isso
e me deixe aqui no escuro
estou com medo
e bastante cansado


(será essa a essência do rato?)

Você vai ter que quebrar sua coluna para poder se dobrar ao meio

maravilhas naturais enlatadas

escrever escrever escrever

não consigo pensar em nada que já não tenho pensado antes

neste exato momento

(acaso)

parece tudo tão falso.

terça-feira, março 29, 2011

Divagações e possíveis novos usos para o Código de Hamurabi hoje... ou, no melhor dos casos, NÃO!

neurose
baixa fermentação
e um punhado de doces vencidos
(praticamente derrotados)

e você é só uma criança
sentada em uma cadeira bem grande

nada de sorvete por hoje
e sua companhia se foi

sim eu sei
SIM EU SEI

sei que não tem o menor sentido
nada do que eu faço
ou do que eu digo

e que

seria apenas razoável
mandar tudo se foder
e cair fora

Títulos com horas são muito batidos... e eu também... a propósito são 2:10.

é de noite,
madrugada na verdade.
você está só no início da semana.
sentado pensando em beber ou em fumar.

o que você pode fazer se sente mal a essa hora?
por que não esperou até o fim de semana?
você sabe que não vai ter ninguém por perto
não sabe?

todos eles tem deveres e obrigações

você não pode foder com meio mundo
só por que você
está le-ve-men-te "triste".

esperasse até sexta, quinta no máximo.
mas não
você tem que ferrar com tudo bem rápido
não consegue ficar na sua,
"de boa",
por três dias seguidos!
dois que fossem!

agora é tarde
duas vezes tarde

e o que lhe resta?

Por que não tentar
um bate-papo pornô às 3 da manhã?
isso quase tem graça
se você estiver
mesmo
sentado em uma cadeira
as 2:30 da madrugada
pedindo água pra vida

sábado, março 26, 2011

(eu estava) Lendo sobre videoclipes... ("or Elements of refusal")

Já é hora, não?
O que fazer agora, exatamente agora?
Planejar mais uma centena de vezes o que você vai fazer depois de amanhã?
beber mais uma?
mais um disso, mais um daquilo? fingir que vai vai mudar tudo, que vai se esforçar ou se dedicar... AMANHÃ?

amanhã, manhã, amanhã
está tudo lá, não é mesmo?
é esse o seu segredo, fingir que amanhã tudo vai se ajeitar, que tudo vai te levar pra estrada que vai te levar pra amanhã.

a cidade de amanhã
o estado mental de amanhã

Isso é uma puta de uma piada ruim pra cacete

o que acontece?
estamos todos com problemas de procrastinação ?
O que acontece?
Por que não temos nem vontade de viver?

Talvez Pareça que nada sai do lugar,
que nada vai ter qualquer efeito no agora,
que tudo está lá,
no amanhã...

"O que há?"
eu devo perguntar.

Alguns acham que não há quase nada lá fora,
(um pouco menos do que aqui dentro.)

pode ser...
não há nada mesmo
nada que valha a pena
em nenhum lugar
mas, não estão todos perdidos
ocupados com o mesmo pensamento?
se virando sozinhos pra resolver os mesmos problemas
criados "socialmente" ?

por que mesmo?


Nossa memória é fraca?
é... talvez
mas, nossa alma é que se foi,
estamos gastando todas as forças no simples ato de agonizar

Eu sei
eu só sei
que algo precisa ser criado
e enquanto essas palavras são escritas
há muita coisa sendo jogada no lixo também,
esvaindo,
de ambos os lados...
por todos os lados.


mesmo que isso possa ser uma concentração de vontade com algum poder para sacudir minimamente uma alma,
estas palavras não deixa de ser mais uma contribuição
para "o amanhã"
se você olhar bem, talvez perceba...

...

e logo dirão:
"Por que se revoltar com o mundo?
com a sociedade?
com tudo?
tudo está pavimentado, tudo está tão seguro, em seus trilhos..."

e então, sob a pavimentação reside a praia?
...
...
O que você acha?
...
revoltar-se com tudo pelo simples fato de tudo ser como é?devolver a alma para a vida? a essência? POR POR QUE AINDA ESTAMOS AQUI? NÃO HÁ NADA AQUI! NUNCA HOUVE! ESSA TELA NA SUA FRENTE É UMA MENTIRA!! ME DIGA, O QUE VAMOS FAZER A SEGUIR!!??

(respire fundo)

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

a retirada

{(Bukowski, Love is a dog from hell, 1977)
capítulo 3
tradução: pedro gonzaga}

desta vez o negócio acabou comigo.

me sinto como as tropas alemães
açoitadas pela neve e pelos comunistas
caminhando curvadas
as botas gastas
forradas com papel jornal.

minha condição é tão terrível quanto.
talvez pior.

a vitória estava tão perto
a vitória estava logo ali.

enquanto ela estava ali diante do meu espelho
mais jovem e bela que
qualquer outra mulher que eu já conhecera
penteando metros e mais metros de cabelo ruivo
enquanto eu a observava.

e quando ela veio para a cama
estava mais bela do que nunca
e o amor foi muito muito bom.

onze meses.

agora ela se foi
como todas se vão.

desta vez o negócio acabou comigo.

é um longo caminho de volta
mas de volta pra onde?

o cara que vai na minha frente acaba de
cair.

passo por cima dele.

será que ela também o acertou?

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Duas moléculas, umas vez unidas, sempre terão alguma ligação mesmo depois de separadas

Eu sei que é o fim e que tudo acabou,
mas certas coisa ficam.


E em algum lugar,
ou em algum outro tempo,
ela ainda me abraça.
e aquele beijo não terminou
tão pouco o amor.
Talvez em alguma outra dimensão,
mesmo que apenas em sonhos,
estamos os dois lado a lado.

quem sabe...

mas eu sei que
sempre existira o eco
do que houve entre nós.
Mesmo que seja só
uma lembrança que resista,
uma foto velha
ou uma carta escrita à mão.
algo permanecerá.

E por mais que o tempo avance
e as coisas mudem,
todos aqueles momentos
e sentimentos
nunca se perderão...

não completamente.

Eu mesmo
acabarei por guardá-los para sempre
seja naquelas gavetas que nunca são abertas,
num canto sem uso do meu cérebro,
ou mesmo no fundo da minha alma.

É inevitável...

E mesmo após o fim de todas as coisas,
do cessar da existência,
talvez ainda exista,
mesmo que nada ou que ninguém possa ver,
mesmo que sejam só duas moléculas,
uma prova do amor que eu senti
por ela.

eu sinto
ele
permanecerá...

para sempre.



{adeus, amor.
Obrigado por tudo, por tudo mesmo.}

you were always on my mind

ela me deixou.

machuca como ser queimado
como ser destruído por um carro monstro

e você é só mais um fodido de novo
igual a dois anos atrás
caminhar por aí e beber cerveja
porque tudo o que há é andar por aí e beber cerveja.

ver as mesmas coisas e as mesmas drogas de cachorros
limpar merda
ficar em casa
ouvir uma mesma música até cansar
se chatear com o tempo

a vida dá voltas
e para sempre no mesmo lugar
você sempre soube
ás vezes consegue provar o contrário
mas por pouco tempo até ser desmentido de novo
para provar o contrário mais uma vez que seja


chorar e não chorar
conversar e não conversar
ter o que fazer ou não
o que importa agora?
você é só um saco de merda sem propósito

mais uma vez...

Queria poder me trancar em outro canto
e ser pago por isso

beber cerveja pela décima vez
vai perdendo um pouco a graça
ter que ir até lá comprar
arrumar alguma grana
ouvir reclamações por beber
causa mais dor de cabeça só

bem, talvez seja melhor sair do que ser destruído por mosquitos aqui

Dizem que insetos não sentem nada
nem amor, nem ódio, nem porra nenhuma.
deve ser por isso que estão sempre por aí

...

droga, cara
vá se foder

ainda não acredito
você pode mudar de assunto até
contar toda a história do mundo
mas a mesma pergunta vai voltar:
por que ela me deixou?

"Acabou o amor"
eu sabia, disso
mas ela não me deixava ajudar
e em algum momento devo ter
ferrado com tudo

não conseguir fazê-la te amar
por mais tempo

e

quando ela terminou
senti como se tudo que eu fiz
cada palavra ou ato
cada carinho ou gesto
fosse medíocre
que fossem ruins
sinto que não fiz o que devia
que fiz com preguiça
que só pensei em mim
o tempo todo
e a deixa pra lá pra morrer

eu realmente gostaria de voltar naquele trem
e a beijar de novo
e fazer tudo de novo
e viver mais uma vez
o doce amor daqueles olhares
daquelas mãos e lábios

quem sabe o fim não fosse esse?

eu a amei tanto

agora só me resta esperar
pela sua morte
cortar seu ar
e esperar que morra
parar de alimentá-lo
até que sobre apenas
uma lembrança
uma flor ou uma pedra
mas vê-lo debater-se é terrível
agonizar em busca do que não está mais lá
chamar, chorar e
silêncio

Em alguma parte do caminho
eu deixei de fazer algo
deixei de escutar seus problemas com o coração
talvez tenha pensado só em mim?

Não sei
tentei fazer o melhor que pude
não sou o melhor.

Pena que o que me resta
são só umas recordações
memórias tão boas e vivas
uma saudade tão forte
uma vontade de correr
para vê-la

"é melhor não, você sabe"

de repente alguém que te ama
não quer mais te ver
quer deixá-lo pra lá
e nunca mais te beijar

e você está agora sozinho
o passado é passado como nunca foi

você chora
porque sabe que em algum lugar do tempo
vocês ainda resistem abraçados
olhando pro futuro através de sonhos
e desejos.

Ela disse que iria querer ver
iria na minha formatura

mas isso não vai acontecer

talvez em outra dimensão
ela esteja lá
e em outra, quem sabe, somos
dois bandidos
dois apaixonados incuráveis
mas aqui estamos longe
separados.

Só queria que ela soubesse
que eu realmente a amei
e tudo foi tão importante
tão maravilhoso
tudo que fizemos
tudo que deixamos

Eu não a culpo por não me amar mais
ou por me deixar
só quero que me perdoe por não ter sido diferente
por ainda não ter esquecido...

você sempre esteve nos meus pensamentos.